terça-feira, 19 de julho de 2011

Enigma: Morto!

Antes de qualquer coisa, gostaria de deixar claro que eu não fiz esse enigma! Foi retirado do site www.danielfalcao.net. ATENÇÃO: A resolução do enigma encontra-se depois do texto. Boa sorte, e divirta-se, sherlockiano!




MORTO!
Autor: A. Cláudio

O esplêndido Ford do detective Scott percorria a curta distância que separava a sua habitação do palacete do milionário Leon Turner que, segundo a chamada telefónica que havia recebido, há poucos minutos, tinha aparecido morto, na sua residência.
O dia aparecia formoso e prometedor, em contraste com os anteriores, que tinham estado tempestuosos, chovendo ininterruptamente e trovejando bastante. A acção benéfica daquele sol radioso passava despercebida na mente de Scott, que, naquela altura, trabalhava activamente.
Dentro em pouco encontrava-se na frente de um largo portão de ferro, que tratou de transpor, internando-se pela mata que aparecia antes de se chegar ao palacete.
Inadvertidamente, Scott encontrou sob o seu olhar, à direita, dentro de um canteiro, um pedaço de tecido que, maquinalmente, guardou. Um homem sem libré estava ao portão. Scott perguntou-lhe se estava alguém em casa e explicou a sua vinda ali. O detective notou que o homem levava, repetidas vezes, a mão, em forma de concha, ao ouvido.
Seguindo-o, Scott encontrou-se num quarto, onde estava o cadáver do milionário, ficando, depois, só. Um rápido olhar para o corpo, que se encontrava deitado de bruços sobre a cama, com uma pequena brecha no crânio, e um revólver caído no chão, bastaram para que Scott pusesse o seu cérebro matemático em actividade. No mesmo momento verificou se o bocado de tecido que tinha encontrado coincidia com qualquer peça de vestuário do morto. De facto, na algibeira esquerda do casaco, faltava um bocado. Chegou à porta e chamou as únicas pessoas que coabitavam com o milionário – dois sobrinhos (os únicos parentes) e três criados, dos quais, naquela altura só um se encontrava, substituindo o mordomo.
Scott chamou um dos primeiros, que se adiantou e disse:
– Eu nada sei que possa resolver este enigma, pois cheguei hoje de Itália onde tinha ido em visita de estudo.
Scott olhou, depois, para o segundo, que contava mais quatro anos que seu irmão:
– Meu tio já há muito tempo que se encontrava preocupado, não sei porquê; talvez negócios ou o seu estado de saúde. Passava as noites em claro e, muitas vezes, ouvia-o falar alto. O nosso médico recomendou-lhe ter o maior sossego e ir, de vez em quando, dar uns passeios pela mata. Ontem, fui com ele dar uma volta, quando se sentiu, subitamente, mal disposto. Disse para regressarmos e…
Scott interrompeu: – Este bocado de fazenda… o que significa?
Ah!… isso foi quando regressávamos e, como ele cambaleava, prendeu-se o casaco num ramo e rasgou-se. Hoje de manhã, como estranhava não aparecer, vim até ao quarto e presenciei este espectáculo horrível. Pobre tio! Talvez previsse o fim próximo e, não querendo dar mais trabalho, suicidou-se!
Scott ouviu com atenção toda a narrativa de Stanley Turner. Meditou, por momentos, e, por fim, disse:
– Já sei o que sucedeu!

Qual o seu parecer, caro leitor?






SOLUÇÃO!


1. Passeio/Mau tempo. Stanley declarou que, na véspera, fora dar um passeio com o tio, na mata, quando, de súbito, este se sentiu mal. “Esqueceu-se” que, no dia anterior, “chovera ininterruptamente”, não propiciando tal passeio a um idoso, doente… que apareceu morto, deitado de bruços sobre a cama, vestido com a roupa que teria levado a esse passeio, mas sem qualquer vestígio de chuva ou de terra/lama…
2. Bolso rasgado. Segundo o mesmo, no regresso, o casaco do tio ficou preso num dos ramos do canteiro, rasgando-se. De facto, o investigador encontrou-o nesse local. Mas… seco, evidenciando que não estava lá desde o chuvoso dia anterior, tendo sido aí posto neste “dia formoso e prometedor”.
3. Bolso esquerdo/canteiro direito. O bolso rasgado era o esquerdo e o canteiro onde o pedaço de tecido foi encontrado situava-se no lado direito de quem entrava na propriedade…
4. Som do tiro. Não foi ouvido pelo criado, porque este era surdo (“Levava, repetidas vezes, a mão, em forma de concha, ao ouvido”). Mas ele, Stanley, não o era e devia tê-lo escutado, considerando que o seu quarto seria próximo do do tio. – Pois não o ouvia ele, muitas vezes, falar alto, durante a noite?
5. Outros. O estado do tio já algum tempo era preocupante. Regressa do passeio mal disposto, cambaleante, mas o sobrinho não procura saber do seu estado senão no dia seguinte?
Um tiro suicida provoca “uma pequena brecha no crânio”… e não um furo, com vestígios de pólvora (disparo à queima-roupa)… e sem sangue?

{ publicado na secção “Mundo dos passatempos” do jornal “O Almeirinense” em 1 de Janeiro de 2007 }

 

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